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Mapa para captar valor dos agentes de IA na indústria em 2026

A indústria brasileira viveu um momento crítico em 2025, com recuo acentuado na atividade produtiva e capacidade ociosa em níveis alarmantes, como revelou o levantamento da Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indútria (CNI). Para 2026, a projeção é de crescimento tímido de apenas 1,7%, pressionado por demanda fraca e custos elevados.

Esse cenário de oscilação cíclica entre recuperação frágil seguido de desaceleração já é bem conhecido no setor, que vive uma desindustrialização e estagnação há algumas décadas. Ao longo desse período, a resposta padrão tem sido: corte de custos, redução de quadro, adiamento de capex, renegociação de contratos. Essas medidas aliviam o caixa no curto prazo, mas não resolvem a raiz do problema.

Para sair da armadilha da capacidade ociosa e recuperar competitividade, é preciso capturar ganhos de produtividade de forma estrutural, rápida e mensurável. A resposta exige atacar essas ineficiências na raiz, e é aqui que tecnologias baseadas em agentes de IA começam a fazer diferença mensurável.

Os agentes de IA posicionam-se como ferramentas estratégicas, não como um projeto de TI, mas como alavanca direta de resultado operacional e financeiro. Enquanto a automação tradicional permitiu ganhos de escala em tarefas repetitivas, os agentes orquestram o fluxo de valor de ponta a ponta na operação.


Impacto dos agentes de IA

Indicadores quantificam essa transformação, demonstrando a efetividade de utilizar esses sistemas como catalisadores para reverter o declínio e capturar oportunidades na Indústria 4.0. Confira estatísticas que retratam os cenários internacional e nacional.


Estatísticas globais

Estatísticas globais registram que o uso de agentes de IA na manufatura promovem:

⭡ 10-15% de aumento na produção (McKinsey, 2023).

⭣ 20% 

de redução em estoque excedente (IBM, 2024).

⭡ 4-5% 

de ganho em EBITA (McKinsey, 2023).

⭡ 10 pontos percentuais

de crescimento no OEE (McKinsey, 2023).

⭣ 25% 

de queda em defeitos de produtos (IBM, 2024).

 

Estatísticas brasileiras

O impacto no Brasil já é mensurável e superior em alguns indicadores de agilidade. Empresas que adotaram IA generativa e agentes relatam:

 

⭡ 14%

de aumento médio na produtividade. 


(Bain & Company, 2025)

⭡ 9%

de crescimento nos resultados financeiros.


(Bain & Company, 2025)

16%

de ROI médio sobre investimento em IA, com projeção de 31% em 2 anos.

(SAP, 2025)

 

OEE como resultado e não como projeto: como agentes transformam ociosidade em disponibilidade e performance


OEE (Overall Equipment Effectiveness) é o KPI-rei da manufatura. Ele mede o quanto você realmente produz vs. o quanto poderia produzir, se tudo fosse perfeito:

OEE = Disponibilidade × Performance × Qualidade

  • Disponibilidade: quanto tempo a máquina está rodando (vs. parada por falha, setup, falta de material).
  • Performance: o quão rápido está rodando (vs. velocidade de projeto).
  • Qualidade: quantas peças saem boas (vs. refugo/retrabalho).

O problema: em muitas fábricas brasileiras, o OEE fica entre 45% e 65%. Ou seja, você está usando menos de 2/3 da capacidade que já pagou. Capacidade ociosa de 30–50% não é falta de demanda, é ineficiência operacional disfarçada.

Como agentes de IA atacam cada pilar do OEE:

  • Disponibilidade: manutenção preditiva reduz paradas não planejadas; planejamento inteligente reduz tempos de setup e esperas.
  • Performance: otimização de parâmetros em tempo real maximiza velocidade sem comprometer qualidade; detecção de micro-paradas invisíveis ao olho humano.
  • Qualidade: controle estatístico em tempo real, ajuste automático de parâmetros, detecção precoce de desvio antes de gerar scrap em massa.


Resultado: OEE world-class (acima de 85%) deixa de ser "meta aspiracional" e vira realidade operacional – em 6 a 12 meses, não em 5 anos.


Por que isso importa agora?  


Porque em 2026, com projeção de crescimento de 1,7%, aumentar OEE de 60% para 80% equivale a ganhar 33% de capacidade produtiva sem construir nada. É como se você tivesse inaugurado uma planta nova, mas gastou 1/50 do capex e entregou em meses, não anos.

Agentes de IA transformam ociosidade forçada (por ineficiência) em disponibilidade real. E isso vai direto para o resultado: mais produção, menos custo unitário, margem recuperada, caixa gerado.


Onde capturar valor primeiro: priorize casos de uso de agentes de IA com maior impacto e viabilidade


Comece por onde o dinheiro volta mais rápido. Em vez de tentar “transformar a fábrica inteira” de uma vez, priorize casos de uso de agentes de IA com maior impacto econômico e maior viabilidade de execução. Na prática, isso costuma se concentrar em seis frentes: 

  1. Manutenção e confiabilidade: reduzir downtime e aumentar disponibilidade (impacta OEE diretamente).
  2. Planejamento e Controle da Produção (PCP): melhorar sequenciamento, aderência ao plano, OTIF (On-Time In-Full) e reduzir WIP (Work in Progress).
  3. Qualidade e resíduos: detectar desvios cedo, reduzir refugo e retrabalho. 
  4. Energia e utilidades: reduzir consumo específico e picos de demanda (custo direto no CPV).
  5. Logística interna/estoque: diminuir esperas e movimentações, tempo de abastecimento e picking.
  6. Engenharia/NPI: encurtar ciclos de desenvolvimento e ramp-up, reduzindo custo e acelerando receita. 


A decisão de “por onde começar” deve ser objetiva, usando uma matriz Valor x Viabilidade que avalie impacto no EBITDA/margem, prontidão de dados e integração (ERP/MES/SCADA), risco operacional/regulatório e tempo de payback/complexidade. E, para evitar “pilotos infinitos”, cada iniciativa precisa nascer com dono do resultado, baseline, metas e entregáveis claros.


Transformando o ganho potencial dos agentes de IA em resultados reais


Para que agentes de IA saiam do discurso e gerem resultados, é preciso construir um modelo de valor claro que conecte cada ação do agente a uma linha específica da demonstração financeira (Demonstração de Lucros e Perdas). Isso começa com uma "árvore de valor" por caso de uso: 

A ação do agente (ex.: reduzir downtime, otimizar sequenciamento, ajustar parâmetros de processo) 

gera impacto operacional mensurável (horas de parada evitadas, redução de resíduos, consumo de energia por unidade menor)

que se converte em impacto econômico em reais (menos custo de manutenção emergencial, menos desperdício de matéria-prima, menos hora extra) 

e, finalmente, aparece nas linhas corretas do resultado: redução de Custo dos Produtos Vendidos (CPV), aumento de margem bruta, melhoria de EBITDA, liberação de capital de giro (via redução de WIP e estoques) ou capex evitado (ao ganhar capacidade via eficiência, sem construir linha nova).

Exemplos práticos de árvores de valor


Manutenção preditiva | Redução de 40% em paradas não planejadas → +X horas de produção/mês + menos horas extras + menos perda de produto → receita adicional (se há demanda) ou menor custo unitário + redução de custo de manutenção corretiva → aumento de margem bruta e EBITDA.

PCP inteligente | Otimização de sequenciamento e replanejamento em tempo real → menos setups, menos WIP, menos reprogramações → menos hora extra + menos estoque intermediário + melhor OTIF → redução de CPV e despesas operacionais + liberação de capital de giro.

Qualidade/processo | Ajuste de parâmetros antes do lote sair de especificação → menos refugo e retrabalho → redução direta de custo de matéria-prima, energia e tempo de máquina → CPV menor e margem bruta maior.

Energia | Orquestração de cargas e setpoints em tempo real → redução de consumo específico e picos de demanda → menor conta de energia mensal → redução de CPV.

NPI | Sugestão de parâmetros iniciais e priorização de experimentos → menos tempo até ramp-up + menos lotes de teste desperdiçados → produto no mercado meses antes + menos custo de desenvolvimento → mais receita e margem mais cedo.


Métricas executivas para governança de agentes de IA na indústria


A governança desse valor exige um painel executivo enxuto com métricas semanais ou mensais: 

Disponibilidade/Manutenção

OEE e seus componentes (Disponibilidade, Performance, Qualidade).

MTBF (tempo médio entre falhas).

MTTR (tempo médio para reparo).

Horas de parada não planejada por ativo / linha.

Custo de manutenção corretiva vs. preventiva vs. preditiva

 

Performance/Planejamento

Aderência ao plano de produção (%).

OTIF (on-time, in-full) por cliente / família de produto.

Lead time interno médio (ordem → produto pronto).

Número de reprogramações por semana.

 

Qualidade

Refugos (%) e em R$.

FPY (First Pass Yield).

PPM / número de não conformidades internas e de cliente

Custo da não qualidade (COPQ) (% do faturamento).

 

Energia

Consumo específico (kWh/unidade, kWh/ton, kWh/lote).

Custo de energia por unidade produzida.

Picos de demanda (kW máximo) e penalidades associadas.

 

Capital de giro/Estoques

Estoque de matéria-prima.

Estoque de WIP (work-in-process).

Estoque de produto acabado.

Estoque parado/obsoleto.

 

Financeiro/DRE (P&L) 

CPV (Custo dos Produtos Vendidos) como % da receita.

Margem bruta.

EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

 

Todas essas métricas devem ter baseline sólido (3 a 6 meses antes da intervenção) e, sempre que possível, ser comparadas a um grupo de controle (linha ou planta sem o agente) para isolar o efeito real da tecnologia de outras mudanças (mix, turnos, obras). Sem baseline e experimento controlado, os resultados viram narrativa, não evidência – e perdem credibilidade com Finanças.

O business case deve ser conservador e auditável: 

  • Usar premissas abaixo dos benchmarks globais (se o mundo fala em -40% de downtime, simular com -15% a -20%; se fala em -30% de resíduos, simular com -10%).
  • Começar com escopo inicial limitado a 1-2 linhas ou famílias de produtos (e mostrar que, se confirmado, a escala multiplica o benefício).
  • Detalhar custos completos e transparentes (licenças/uso de plataforma, horas de consultoria/integração.
  • Horas internas de TI/OT e equipes operacionais, eventuais sensores/hardware).
  • Explicitar riscos com mitigadores e "gates" de continuidade (ex.: se o piloto não atingir X% de redução de downtime em Y meses, parar ou ajustar). 


Com esse rigor, agentes de IA deixam de ser "inovação de TI" e passam a ser projetos de produtividade com ROI demonstrável, falados na mesma língua do CFO e do Conselho – e com payback típico entre 6 e 24 meses em casos bem executados de manutenção, PCP, qualidade e energia.

Capturar valor com agentes de IA no setor industrial demanda, acima de tudo, estruturação robusta de dados – com padronização, governança, integrações seguras e qualidade – e capacitação contínua de equipes. Sem dados organizados e letramento em IA, projetos falham, mesmo com ferramentas avançadas. Essa base essencial transforma a crise cíclica em ganhos mensuráveis de eficiência, permitindo integração rápida e ROI acelerado.

Desafios comuns e como superá-los

 

Apesar do retorno financeiro atrativo, a implementação de agentes de IA na indústria pode esbarrar em desafios que transformam projetos promissores em "pilotos infinitos" sem retorno. Superar esses obstáculos exige mais do que apenas tecnologia, demanda uma estratégia de execução robusta e expertise especializada.

Confira os desafios mais comuns e como superá-los:


  • Maturidade de dados: a falta de uma estrutura robusta de dados, com padronização, qualidade, governança e integrações seguras, os projetos de IA falham, impedindo a geração de uma base sólida e a mensuração confiável de resultados.

    → Solução | O SiDi entrega soluções fim a fim com foco em dados e integração não intrusiva com sistemas legados (ERP/MES/SCADA). Isso garante que o projeto nasça com a base de dados organizada necessária, transformando o risco de integração em um caminho rápido para o payback.

  • Falta de uma estratégia clara de IA: a maioria das fábricas não tem um plano estruturado ligando IA a metas de negócio (produtividade, qualidade, OEE, custo).

    → Solução | Atuamos com visão consultiva e expertise em IA para desenvolver um plano estruturado que conecta a tecnologia diretamente às metas de negócio (OEE, CPV, EBITDA), garantindo que cada iniciativa tenha dono do resultado, baseline e metas claras.

  • Integração com sistemas legados: a alta dependência das fábricas a tecnologias antigas traz limitações e riscos para a operação que somente o conhecimento e a experiência nesse tipo de integração podem solucionar.

    → Solução | Somos especialistas em integração não intrusiva com sistemas legados (ERP/MES/SCADA). Nossa experiência em simulação com gêmeos digitais permite testar conexões e antecipar riscos, garantindo que a tecnologia antiga não seja uma barreira para a adoção e o payback da IA.

  • Resistência cultural: a falta de capacitação contínua de equipes e a dificulade em quebrar a resistência a mudanças transformam a inércia cultural em um obstáculo maior que o tecnológico.

    → Solução | O SiDi supre a necessidade de capacitação contínua de equipes e transfere o know-how necessário. A atuação como parceiro estratégico foca em demonstrar o valor direto da IA no dia a dia da operação, facilitando a quebra da inércia cultural e assegurando a sustentação e escalabilidade dos projetos.

  • Escassez de profissionais qualificados: o déficit de especialistas em IA, Data Science e MLOps com vivência industrial no mercado de trabalho torna a parceria estratégica a solução ideal para suprir essa lacuna de conhecimento e garantir a sustentação dos projetos.

    → Solução | O SiDi oferece um corpo de mais de 700 profissionais altamente especializados em IA, Data Science e MLOps com vivência industrial. Essa parceria estratégica supre imediatamente a lacuna de talentos e garante que o projeto tenha a expertise de ponta para a concepção, implementação e sustentação contínua.

A importância de ter um parceiro de confiança para projetos de inovação industrial


Nesse cenário de incertezas em meio a desaceleração e projeção tímida de crescimento no setor, a escolha do parceiro certo, que compreenda profundamente as necessidades da indústria e do seu negócio, além de ter a expertise necessária e visão consultiva, se tornaé o diferencial para ter sucesso nessa jornada.

Como um dos maiores Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) do Brasil, o SiDi é referência em inovação e Inteligência Artificial. Somos parceiros estratégicos, desenvolvendo projetos industriais disruptivos que impulsionam o diferencial competitivo dos nossos clientes, por meio de soluções de ponta customizadas. 

Se a sua organização busca um parceiro estratégico para impulsionar a inovação em seus processos ou modelos de negócio, entre em contato conosco.


Sobre o SiDi

O SiDi atua com foco em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Fundado em 2004, conta com um corpo de mais de 700 profissionais altamente especializados, incluindo mestres e doutores. Seus profissionais possuem conhecimento diferenciado em frentes como Inteligência Artificial, Data Science, MLOps e Segurança Cibernética, o que permite ao instituto oferecer soluções fim a fim usando tecnologia de ponta e as melhores práticas de mercado, que vão desde a concepção até a implementação e entrega de soluções e produtos. 

Com escritórios localizados nos maiores polos tecnológicos do Brasil – Campinas, Recife e Manaus –, o SiDi é parceiro de universidades reconhecidas no cenário de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, tais como PUC-CAMPINAS, Unicamp, USP, UFPE, UPE, UFRJ, UFC, UFMG e IFPE. O instituto é credenciado para operar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação pelo CATI, CAPDA (Lei da Informática) e ANP, e tem auxiliado grandes empresas em projetos que utilizam esses incentivos, assim como os programas de  P&D da ANEEL, Inovar PE, entre outros. Desde a sua fundação, o ICT atuou em mais de 1.200 projetos, sendo grande parte deles de abrangência global.